quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Rude day

"Amar é triste O que é que existe? O amor"                                                                         Vinícius de Moraes

Agarrada a uma caneta que escreve mal, escrevo então o que me vai na alma.

Tenho um borrão de tinta da china preta a percorrer o meu organismo. Mas o que importa isso? Não mata! apenas me torna mais forte..A tinta está a destruir-me por dentro mas a reforçar-me por fora! E venha quem vier, chegue o que chegar eu estarei aqui para escrever outro texto, talvez até com uma caneta que escreva melhor. Mas até lá vou ser eu a tentar controlar a tinta da china. E um dia ainda vou criar uma obra de arte com ela no meu interior!


"A fotografia mesmo queimada, permanece. Não intacta mas presente"
                                      Maria Francisca Gama







sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Humidade salgada

'Hoje deito-me na cama que fiz'

         Abro os olhos e deparo-me com uma lâmpada acesa, apago-a e tento adormecer num chão frio com uma humidade salgada. Pouco tempo depois acordo com um estrondo de uma porta a cair, respiro fundo, levanto-me e encaro com pessoas com apenas dois olhos no rosto em que não dá para descobrir o estado de espírito de cada uma, com apenas o olhar.
         Olho me ao espelho e dou de caras com dois olhos num rosto vazio e opaco, sou exactamente igual ás outras pessoas, não sou superior nem inferior a ninguém. Apenas, infelizmente penso duma forma que por vezes me leva a acabar assim, deitada num chão frio e desconfortável,  mas foi exactamente a cama que fiz, pois foi aqui que os meus actos me trouxeram.
         E o pior de tudo é que este não é o meu mundo, eu nunca vivi aqui, nem sei o que isto é, nem quem sou, tudo isto fui eu que criei não sei como, transformando-me assim nesta raça que nem nome ao certo encontrei para lhe chamar.